quarta-feira, outubro 25, 2006

Dukkha samudaya ariya sacca


Os budistas tem razão. Desejo é sofrimento e querer é sofrer. Porque afinal, todo desejo frustrado vira sofrimento. E todo desejo ainda não satisfeito está em estado de frustração. Se ele é realizado ou satisfeito de algum modo, passado o prazer do sucesso, que nunca dura o suficiente, outro desejo tomará o lugar do anterior, num ciclo sem fim de inquietação e frustração. Donde se conclui que realmente a paz perfeita só existe em não desejar absolutamente nada. Só existe a paz na eliminação do ego.

Se eu gostaria de renunciar ao meu ego e nunca mais sofrer? Bem, sim. Mas desejo isso (e portanto sofro) da mesma maneira que as pessoas desejam ganhar na loteria, como um sonho distante e impossível. Não, não sou tão ambiciosa a ponto de querer a paz perfeita, a ponto de desejar uma força de vontade e uma sabedoria tão profunda que me dêem o poder de eliminar a minha própria individualidade. Sou hedonista e vaidosa demais para isso.

Mas isso não me preocupa tanto. Porque se eles estiverem certos, os budistas, então todos nós estamos condenados ao eterno recomeço enquanto não atingirmos o Nirvana, através da reencarnação. Ou seja, vou ter mais uma chance de me emendar e me tornar um Buda e tal. E se não estiverem, se não houver nada, pelo menos eu aproveitei bastante o meu ego enorme e cheio de vontades.

14 Comments:

Blogger Helder da Rocha said...

E se nao houver desejo, qual o sentido de estar vivo? Viver e' desejar, e se desejar e' sofrer, viver tambem o e'. Assim, a paz perfeita so' existe na morte que seria a unica maneira de eliminar totalmente a individualidade. Mas alguem deseja a morte? E renunciar ao ego me parece ainda pior; e' como a morte do espirito em um corpo vivo. Sera' que a sabedoria necessariamente precisa eliminar o ego?

11:35 AM  
Blogger Gabriel said...

Eu dispenso sem remorsos a sabedoria. Até o Vinicius de Moraes veio rastejar com a gente, ora essa! Dalai? Sou mais Dylan, the suffering is unending, se meu inglês ausente compreendeu a bagaça.
coincidência ou momento-tava-escrito-nas-estrelas, falei de budistas no meu último post.
e o caco galhardo tem blog agora, finalmente!!!, que é blogdogalhardo.zip.net

10:10 PM  
Blogger Alessandra said...

Pois é, querido, mas às vezes a gente se cansa de querer as coisas...

Dispense, dispense. Eu também dispenso, mais porque não saberia bem o que fazer com ela. Caco Galhardo, é? Vou olhar.

9:41 AM  
Blogger Yvonne said...

Alessandra, tomei conhecimento do seu blog através da Patrícia Köeler. Hoje eu falei sobre o que é envelhecer e ela linkou um post seu que faz uma comparação entre o envelhecimento e o bonsai. Simplesmente adorável, retornarei sempre aqui no seu cantinho. Beijocas

6:01 PM  
Blogger Alessandra said...

Oi Yvonne! Que bom que você gostou, apareça sempre.

6:42 PM  
Blogger Denise Arcoverde said...

Alessandra, teve uma época que eu li muito sobre o budismo, meu marido segue uma filosofia hindu (radicalmente), mas o caminho do meio e a abdicação do desejo é a maior dificldade pra mim, sou uma mulher de muitas paixões pra encarar essa disciplina. Não consigo imaginar a vida sem desejos. Aliás, foi sobre desejos mesmo que escrevi hoje :-)

Beijão!

11:47 PM  
Blogger AD VANUM said...

É interessante que o filósofo Arthur Schopenhauer construiu sua teoria sobre uma idéia bem parecida. Ele dizia que "viver é sofrer", pois a raiz do sofrimento humano está no desejar sempre.
Por ser um eterno insatisfeito, enternamente sofrerá.

Até mais!

http://advanum.blogspot.com

1:28 AM  
Anonymous Tuca Hernandes said...

A vontade é eterna e o gozo da conquista, intenso, mas breve. Final feliz, só nas fábulas, pois a vida sempre pede por novidades, uma vez que não somo s pedras que se contentam com um só objetivo alcançado. Não desejar nada, renunciando ao ego, deve ser mais ou menos como beber cerveja quente e sem álcool num rodízio vegetariano: haja evolução! Aplausos pra quem consegue até o fim da vida, sem surtar no caminho pelo tanto que renunciou.

6:40 PM  
Blogger João said...

Ter paz demais seria chato...eu acho. Desejo move o mundo.
Beijo

11:18 PM  
Blogger Cris said...

lacan dizia que o homem é um ser desejante. está no nosso dna psíquico, num tem jeito. mas a gente tenta uma melhorazinha. eu vivo tentando, mas se duvidar vou ter que reencarnar mais que todo mundo pra me livrar desse ego... bjs

9:31 PM  
Blogger luizgusmao said...

Este comentário foi removido pelo autor.

7:58 PM  
Blogger luizgusmao said...

Este comentário foi removido pelo autor.

8:04 PM  
Anonymous Camis said...

Eu sofro, porém existo.

12:56 AM  
Anonymous Vozes perdidas na cabeçado Társis o obrigam a dizer said...

Acho que o Luizgusmão deixou pouca coisa pra eu comentar. Na verdade eu tb sou adpeto do Zen, e toda a vez que pratico o Zazen acho que é importante lembrar do desapego. Não tem cabimento a gente achar que é de um jeito e boas, não vamos mudar nunca, assim está bom.
Acho que é parte importante da vida e do desenvolvimento enquanto seres pensantes, trabalharmos para sermos pessoas melhores. (mais fácil falar que fazer, mas... )

bj

5:18 PM  

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